segunda-feira, 14 de julho de 2008
Áurea revelada
Percebi tua áurea nas gotas de orvalho que caíam sob minha desilusão
Dos brilhos do passado, envolvidos em pacote de presente, estava o futuro
Além de brilhos haviam cacos, disformes, fragmentados, pedaços de nós dois
Juntei tudo e fiz um poema, que embora sem rima tinha minhalma, abundante
Não recordo de ter escrito sem musicar, rimar um poema, como se a frase fosse um cometa
Eram enredos enredados no que não era a nossa história, uma simples promessa
Tal realidade, nua e crua, trouxe a libertação, a desorganização que colocou as coisas no lugar.
Não preciso rimar, mas amar, sair pra ver o mar, enxergar o mar, viver a tempestade do mar
Nas rupturas mundanas mora uma fortaleza que não se fragmenta, mas unifica
Na verdade mora um soldado, que não somente luta, mas vence porque acredita
Na virada, depois do cansaço, tem um manto, que protege feito um abraço
É a morte da ilusão, o crescimento nas linhas da palma da mão, a rima que surge então
A mostrar que a leveza consiste, como um norte a mostrar o que existe
Pairando no céu um aviso, do destino, ao que quer que nos destine, que a intuição sempre nos ensine...
MIOPIA
Na janela, com miopia
fechei os olhos a fim de ver
teu rosto, enroscou-se na brisa fria
e trouxe pedaço de amanhecer
em vidas que não são nossas e se atiram ao acaso
de longe vi tuas telas, nuvens e papel
e no preenchimento vago, vasto e raso
pintei e inventei um imaginário céu
pequena invasão de sol nascente
da real imaginação que sinaliza
há vestígio de coerência inexistente
mas a noite presente avisa na brisa
que há fundo e quase seco, imenso e breve, pouco e muito
aviso, um disfarce, de perder o norte,
precisa...
Ka
Te vejo através de pedaços
da íris do meu olho rasgado
sinto de longe, conheço os passos
que percorrem um mundo carregado
sei de toda tua pulsação
te desvendo ao olho límpido
exercito em ti, a adivinhação
teu olhar, andar, sorrido, ímpeto
na noite cheia de lua, espio
os contornos do que é belo e cura
o todo percebo, está por um fio
tenacidade, leveza e doçura
embarco em tua amplitude
afastando todo o revés
meus vôos mentais, amiúde
sempre acompanham um som de jazz
há uma boca obscura, de estrelas e desejo
que atravessa o momento, sem razão
ao fundo seu olhar, outrora meu ensejo
o que sinto tem o mar como proporção...
Ka


